Estudo aponta que mais de 80% das pessoas podem sofrer algum tipo de adoecimento mental durante a vida.

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Apesar de amplamente estigmatizados, problemas psicológicos são mais recorrentes na população do que se pensa: estudo longitudinal feito na Nova Zelândia indicou que mais de 80% das pessoas podem sofrer algum tipo de adoecimento mental ao longo da vida, especialmente os de caráter reativos ou transitórios.

A pesquisa, publicada no periódico científico Journal of Abnormal Psychology, indicou que apenas uma pequena parcela da população permanece mentalmente saudável durante toda a vida.

O estudo analisou 988 neozelandeses, dos 11 aos 38 anos de idade, e apenas 171, ou seja, um a cada seis neozelandeses não vivenciou transtornos de ansiedade, depressão ou outras doenças mentais da infância até a idade média. Metade dessas pessoas já vivenciou algum grau de desordem mental com breve duração: em resumo, metade da população já vivenciou um episódio depressivo, ansioso ou de abuso de substâncias, recuperando-se, plenamente, em seguida.

408 pessoas, ou 40% da amostra, vivenciam/vivenciaram um ou mais transtornos mentais de maior duração e o seu diagnóstico abrangeu condições “mais severas”, incluindo transtorno bipolar e transtornos psicóticos.

É interessante ressaltar alguns pontos da pesquisa:

• As menores chances de desenvolver transtornos mentais estão ligadas a, por exemplo, crescer em uma família notadamente apta a desfrutar de uma boa saúde física.

• Alta pontuação em testes de inteligência também foram associadas a boa saúde mental.

• Pessoas com boa saúde mental tendem a ter traços de personalidade que lhe dão algum tipo de vantagem e alguns destes traços podem ser rastreados desde a infância, como, por exemplo, raramente expressarem emoções fortemente negativas.

• Estas pessoas tendem a ser muito bons amigos e ter autocontrole.

• Indicando uma possível correlação genética, pessoas com boa saúde mental tinham relativamente poucos membros da família com transtornos mentais.

Dados ao longo do tempo também apontam questões interessantes:
• Adultos com boa saúde mental tendem a ter:
1. Maior escolaridade;
2. Melhores empregos;
3. Relacionamentos afetivos de maior qualidade;
4. Melhor satisfação da sua vida do que o dos outros (embora quase um quarto dos que nunca foram diagnosticados com nenhum problema mental tenham pontuado abaixo da média no que se refere à satisfação de vida).

 

Embora pareça indicar índices consideravelmente altos, outros estudos longitudinais também já foram feitos e apontaram entre 61% e 85% de pessoas com algum transtorno mental ao longo da vida. Ronald Kessler, epidemiologista da Harvard Medical School, suspeita que o número de pessoas que vivenciaram algum transtorno mental pode ser ainda maior do que o relatado nesses estudos. O epidemiologista afirma que as pessoas do grupo que nunca vivenciou nenhum tipo de transtorno mental ao longo da vida, podem, na verdade, tê-los vivenciado e os ignorado.

Diante desta realidade, William Eaton, também epidemiologista, se mostra confiante quanto à desestigmatização de questões relacionadas à saúde mental:

Muitas vezes, há um estigma associado à doença mental. Mas se mais pessoas percebem que a maioria acabará por desenvolver algum transtorno mental, pelo menos brevemente, esse estigma pode cair.

Torçamos.


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