“O que fazer?” Conversa com endocrinologista dr. Carlos Bruno sobre os riscos da hormonização sem acompanhamento médico

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Como dito no post de ontem, acesse aqui, e dada a importância do tema, resolvi conversar com um especialista no assunto, Dr. Carlos Bruno, médico endocrinologista.

Como psicólogo que trabalha diretamente com a temática desde 2013, possuo o conhecimento necessário para dar orientações aos pacientes e psicoeducá-los em relação à hormonioterapia sem acompanhamento e orientações médicas. No entanto, com o objetivo de informar ainda mais adequadamente, nada melhor do que conversar com um especialista no assunto (médico endocrinologista) que é um dos grandes nomes da endocrinologia no Ceará e que trabalha diretamente com a temática.

Conversei com o Dr. Carlos Bruno e transcrevo aqui a conversa.

Dr. Carlos Bruno, partindo do geral: quais os riscos do uso indiscriminado e sem prescrição médica de hormônios, feito pelas pessoas? Desde os hormônios da tireóide, que tem gente tomando por conta própria para emagrecer, aos demais?

Na realidade, todo medicamento que se faz uso sem a indicação precisa e até mesmo aqueles que se usam quando necessários, têm o risco de apresentar efeitos adversos ou efeitos colaterais. No caso dos hormônios, os efeitos são mais intensos, pois a grande características dos hormônios é que “as menores quantidades utilizadas fazem efeitos no corpo todo”.

Se tomarmos como exemplo o hormônio da tireoide, o usuário pode apresentar: taquicardia (aceleração nos batimentos cardíacos), insônia, tremores, nervosismo, insônia, além de osteoporose precoce.

E sobre os hormônios utilizados para a transição sexual (por transição sexual, entende-se o período em que, paulatinamente, o sujeito vivencia modificações corpóreas que adequarão suas características primárias e secundárias às do gênero ao qual se identifica): quais suas especificidades e efeitos?

No caso específico nos hormônios com fins de transição sexual, o quadro necessita de maior atenção e vigilância, pois as doses deverão ser mais altas, com maior frequência de uso e serão utilizados por tempo indeterminado. Isto pode causar sérias repercussões no bem estar da pessoa. Os efeitos serão divididos em leves, moderados e acentuados e quanto a reversibilidade alguns efeitos são IRREVERSÍVEIS e PERMANENTES.

Os profissionais que trabalham com transgêneros costumam orientá-los quanto a importância do acompanhamento endocrinológico com profissional capacitado e torná-los cientes dos riscos à saúde que o uso dos hormônios sem prescrição médica representa.

Cabe lembrar que, nestes casos, deseja-se masculinizar um corpo BIOLOGICAMENTE feminino, no caso de homens trans, e feminilizar um corpo BIOLOGICAMENTE masculino, nos casos de mulheres trans. Biologicamente, os corpos do sexo masculino e feminino possuem significativas diferenças, que vão desde a produção de hormônios à presença de órgãos que existem em um sexo e no outro, não, como ovários e útero ou testículos e próstata. Isso é importante de ser dito pois estes órgãos, que existem especificamente em cada sexo, também sofrem os efeitos dos hormônios usados. Pergunto ao Dr. Carlos Bruno:

Quais são os riscos da feminilização de um corpo biologicamente masculino e da masculinização de um corpo biologicamente feminino sem orientação médica? E as consequências?

Além dos riscos adicionais, que surgem na pele, cabelos, barba, voz e mamas, existem os riscos graves de surgimento de nódulos na hipófise, mamas, útero, próstata, que devem ser vigiados pelo risco de malignização. Além de alterações que podem ocorrer em músculos, ossos, dentre outros.

Além do uso de hormônios sem prescrição médica, quem trabalha com a temática, fatalmente se depara com alguns casos extremamente perigosos. Sabe-se que o sofrimento de possuir características sexuais do sexo ao qual o sujeito não se identifica é imenso, porém para alguns sujeitos, este sofrimento pode tomar proporções ainda maiores e haver muita pressa para contorná-lo.

Em alguns casos, na tentativa de acelerar este processo de transição sexual, alguns transgêneros utilizam doses astronômicas de hormônios. Há relatos de casos em que pessoas fazem uso, por exemplo, de três caixas de anticoncepcionais por dia.

É, no mínimo, assustador imaginar o uso diário desta quantidade astronômica de hormônios que deveriam durar, no caso de 3 caixas, 3 meses. Porém esta é a realidade vivida por algumas pessoas e cabe a nós orientá-las. Perguntei ao doutor Carlos Bruno:

Quais são os riscos da hormonização sem prescrição médica e ainda feita indiscriminadamente, como os casos em que se usa várias caixas de anticoncepcional por dia, todos os dias?

Deve haver a compreensão por parte das pessoas que o uso de doses elevadíssimas nem sempre aumenta os efeitos. MUITO PELO CONTRÁRIO. Doses elevadas aumentam os risco de efeitos danosos sem aumentar o efeito terapêutico. Chegam próximo da dose “tóxica” e se afastam da dose “terapêutica”. Se formos fazer uma analogia, seria a situação onde muita gente (hormônios) quer passar por uma porta (receptores dos hormônios) e acaba ninguém passando e nem alcançando os efeitos esperados.

Agradeço imensamente ao Dr. Carlos Bruno por ter aceitado prontamente o convite para essa entrevista.

Dr. Carlos Bruno possui doutorado em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília – UnB, mestrado em Medicina (Clínica Médica) pela Universidade Federal do Ceará – UFC, e desenvolve pesquisas em Nutrição, Endocrinologia, Diabetes Mellitus, Avaliação Nutricional e Educação em Saúde.
E-mail: carlosbruno@unifor.br

(Dados obtidos no site do programa de pós-graduação da Unifor).


www.brunosampaiopsi.com.br

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