Opinião: seguindo a moda de aplicativos para saúde mental, Be Okay promete ajudar pessoas com crises de pânico e ansiedade.

pug post sobre app de saúde mental
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Dando continuidade a atual moda de aplicativos inventados para o uso no campo da saúde mental (você pode conferir aqui o Webot, que ainda estou escrevendo minhas impressões sobre), três alunas lançaram o “Be Okay”, que promete ajudar pessoas têm crise de pânico ou ansiedade. O app está disponível para sistema iOS de forma gratuita.

De acordo com matéria do O Globo, há o desejo de ajudar tanto no momento da crise quanto a longo prazo.

Funciona assim:
1. No momento da crise, o usuário pode acessar uma animação que o indica a acompanhar um exercício de respiração (justificam, na matéria, que o exercício de respiração é proposto pois a falta de ar é um dos principais sintomas vivenciados no momento da crise).
2. Em vez do exercício de respiração, o sujeito também pode escolher visualizar imagens que lhe acalmem ou
3. A pessoa pode acionar uma discagem rápida para alguém lhe ajudar no momento da crise.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As imagens acima ilustram como o aplicativo tenta propor um exercício de respiração.

Na matéria, uma das criadoras do aplicativo relata que nunca experimentou uma crise de pânico, mas conhece pessoas que a experimentaram. Uma das criadoras (estudante de design de mídia digital) relata que quase todas as pessoas conhecem alguém que já teve crise de pânico e estas pessoas, muitas vezes, diante da crise, se veêm sem qualquer ajuda. Dito isto, certamente, a estudante deve considerar que o aplicativo terá fundamental importância durante uma crise de pânico.

As outras duas alunas cursam engenharia de produção e sistemas de informação. Uma delas aponta que a ideia de implementar “fotos que acalmam” veio da sugestão de pessoas que já vivenciaram no momento de crise. Uma destas pessoas relata ficar mais calma ao ver fotos de cachorro pug. Sendo assim, nada melhor do que ver cachorros pug ou paisagens para controlar um ataque de pânico. Esta é a segunda ferramenta do aplicativo. Simples assim.

Mas se não pudesse ficar pior, o aplicativo também se propõe benéfico a longo prazo: permite fazer um histórico com detalhes da crises. No aplicativo, aparece a opção de preencher um formulário com a hora da crise, a duração, o local e os sintomas. Essa ferramenta foi adicionada com intuito de identificar quais são os gatilhos para eventuais crises (confesso que esta é uma das partes que faz, minimamente, sentido, dentre todas as partes propostas).

A matéria termina com a seguinte observação:

— Todas as técnicas de auxílio são muito úteis no momento que você está tendo o ataque. Mas e depois? É aí que entra a parte de registros. Você tem um controle muito maior. E um dos pontos do nosso aplicativo é exercer esse controle sobre algo que afeta a sua vida como um todo — destaca Gabriella.

Em resumo, as três estudantes que NÃO SÃO do campo da saúde mental apontam, na entrevista, o que deve ser feito depois e o apontamento NÃO INDICA a procura de profissionais qualificados para tratar estas pessoas.

De acordo com as alunas, o objetivo do aplicativo será fornecer registros e, a partir destes, ter um controle muito maior sobre algo que afeta a sua vida como um todo. Algo como uma fórmula mágica e universal.

Devo confessar que me causa espanto esta onda de aplicativos que se propõem a tratar questões de saúde mental e posso elencar, em específico, este do post, que foi produzido por alunas que, ao que parece, não possuem um mínimo de preparo técnico para lidar com saúde mental, tendo produzido o aplicativo através do relato de pessoas conhecidas.

Ainda posso apontar a irresponsabilidade que é, mesmo sem ter preparo algum ou formação na área da saúde mental, indicar o que se deve fazer a longo prazo, resumindo basicamente o tratamento para transtorno do pânico ao uso de um aplicativo de celular.

Vale salientar que tendo um registro histórico de várias crises ou ataques de pânico, muito possivelmente estaremos diante de um quadro de transtorno de pânico, logo não será um aplicativo de celular que irá tratá-lo, mas profissionais que estudam e se dedicam exatamente para ter preparo e o manejo adequado com a questão, o que claramente não é o caso das alunas da matéria.

Deve-se salientar, por fim, que o campo da Saúde Mental representa um desafio inclusive para os profissionais que lidam diária e diretamente com ele, dado que todo paciente é singular em sua subjetividade, em seu contexto social, histórico, familiar e diante das inúmeras nuances de toda sua vida. Desta forma, não me aparece nem um pouco adequado o uso de aplicativos que prometem mundos e fundos e cuja eficácia, pelo menos à primeira vista, parece ser bastante questionável.

Conversei com o psiquiatra Guilherme Teixeira (ao meu ver um dos melhores da cidade) para o “O que fazer?” desta semana. A entrevista será postada ao longo da semana.


www.brunosampaiopsi.com.br

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