ESPECIAL SETEMBRO AMARELO: O efeito Werther

jovem werther
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Efeito Werther, ou suicídio por imitação/ contágio*, refere-se a um fenômeno, originalmente denominado pelo sociólogo David Philips, em que há um aumento do número de suicídios nos dias posteriores a um suicídio amplamente divulgado na mídia.

O efeito faz alusão ao romance Goethe Die Leiden des Jungen Werthers, que termina com o suicídio do seu protagonista. No romance, o jovem acaba com a própria vida, dando um tiro em si mesmo, após ser recusado pela mulher amada.

Histórico

Após a publicação do romance, houve uma “epidemia” de suicídios na Europa. Há relatos de jovens utilizando as mesmas roupas descritas e atribuídas ao personagem do romance, que tiraram a própria vida de forma semelhante ao personagem. Há também relatos de suicídios de jovens que possuíam cópias do livro em seus bolsos.

O romance chegou a ser proibido de ser vendido em diversos lugares.

Os suicídios copiados são atribuídos principalmente à cobertura da imprensa. Após encontrar um aumento de 12% nos casos de suicídio após a morte de Marilyn Monroe, o pesquisador Philips afirmou:

Escutar sobre suicídio aparentemente faz com que aqueles que são vulneráveis tenham permissão para fazer isso.

Brent et al. (1992) consideram que a proximidade à tentativa de suicídio pode encorajar sua imitação. Além disso, Stack demonstrou, em 1990, que a frequência de suicídios pode aumentar não só através dos suicídios de celebridades, mas também das notícias de suicídios de pessoas que não são conhecidas pelo público em geral. Por essa razão alguns estudiosos defendem que o suicídio é, de alguma forma, um ato contagioso.

Essas informações levaram a OMS, Organização Mundial de Saúde, a elaborar um guia para profissionais de mídia para orientá-los quanto ao modo correto de noticiar um suicídio. As principais vítimas desses tipos de sugestão são os jovens e, em particular, crianças e os adolescentes.

Acesse aqui o manual da OMS.

De modo geral, o manual indica evitar a cobertura sensacionalista do suicídio, principalmente quando houver uma celebridade envolvida; indica que a cobertura deve ser minimizada até onde for possível; que se houver problema de saúde mental da celebridade, este deve ser noticiado, além de evitar fotografias do falecido, da cena do suicídio e descrição do método utilizado.O suicídio não deve ser mostrado como inexplicável ou de uma maneira simplista.

*Na imitação, um suicídio exerce um efeito modelador em suicídios subsequentes. No contágio, um suicídio facilita a ocorrência de novo autoextermínio, indiferentemente do direto ou indireto conhecimento do suicídio precedente.

COUTINHO, Alberto Henrique Soares de Azeredo.Suicídio e laço social. Reverso [online]. 2010, vol.32, n.59, pp. 61-69. ISSN 0102-7395.


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