Enem 2017: questões sobre saúde mental são as mais especuladas como temática da redação

símbolo enem 2017
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Aplicado em milhões de brasileiros, todos os anos, o Exame Nacional do Ensino Médio, ENEM, é uma das formas de se garantir acesso ao ensino superior para significativa parte da população brasileira.

Neste ano, o ENEM acontecerá nos dias 5 e 12 de novembro e deverá ser aplicado em quase 7 milhões de inscritos. Da mesma forma que pipocam na internet as – nada engraçadas – notícias sobre candidatos que chegam atrasados aos locais de provas, nos dias anteriores à redação, as especulações sobre temática da avaliação também ganham grande destaque.

Neste ano, em específico, dois dados chamam bastante a atenção dos profissionais que lidam com a temática da Saúde Mental e com a temática a dos direitos humanos: O Supremo Tribunal Federal determinou que as redações sejam corrigidas de modo diferente e, dentre os temas mais especulados pelos profissionais da educação, em todo o país, ganham grande notoriedade aqueles que possuem a questão da Saúde Mental intimamente implicada.

Bullying, cyber bullying, suicídio, problema social do crack, aumento da obesidade (transtornos alimentares), discursos de ódio e justiçamento, exploração sexual infantil, dentre outros, são temas frequentemente discutidos por profissionais da área. Acesse algumas discussões aqui, aqui, aqui, aqui e em vários outros posts deste blog.

Também chama a atenção um parecer do STF que proíbe atribuição de notas de 0 a redações cujo discurso dos candidatos violem os direitos humanos. De acordo com a ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, não se combate intolerância social com mordaça:

“O cumprimento da Constituição da República impõe, em sua base mesma, pleno respeito aos direitos humanos, contrariados pelo racismo, pelo preconceito, pela intolerância, dentre outras práticas inaceitáveis numa democracia e firmemente adversas ao sistema jurídico vigente. Mas não se combate a intolerância social com maior intolerância estatal. Sensibiliza-se para os direitos humanos com maior solidariedade até com os erros pouco humanos, não com mordaça”, escreveu Cármen em sua decisão.

De acordo com a professora Marcela Amaral, a temática das redações do ENEM são sempre pautadas em assuntos que possam fazer a sociedade refletir acerca de sua importância. Veja temática das redações dos últimos 10 anos:

2016 – Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
2015 – A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
2014 – Publicidade infantil em questão no Brasil
2013 – Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil
2012 – Movimento imigratório para o Brasil no século 21
2011 – Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado
2010 – O trabalho na construção da dignidade humana
2009 – O indivíduo frente à ética nacional
2008 – Como preservar a floresta Amazônica: suspender imediatamente o desmatamento; dar incentivo financeiros a proprietários que deixarem de desmatar; ou aumentar a fiscalização e aplicar multas a quem desmatar
2007 – O desafio de se conviver com as diferenças

Para Marcela, a questão do bullying e do suicídio chamam particularmente atenção por conta dos debates que foram proporcionados pelos noticiários, ao longo do ano, bem como por conta do impacto que a série Os 13 porquês trouxe.

Não há dúvidas de que a discussão sobre o bullying se faria de extrema importância no atual contexto brasileiro e no contexto mundial. Ao passo que o discurso de que o mundo está chato demais por conta do politicamente correto, é preciso reforçar a violência que o humor negro impõe a inúmeras pessoas. Há aquelas que lidam bem com isso e que faça até piada consigo mesmo, no entanto há inúmeras pessoas que levam a marca da violência e do bullying por toda a sua vida.

Ao colocar potenciais vítimas e potenciais agressores para pensar, repensar e discutir uma temática tão importante se faz extremamente benéfico e urgentemente necessário.

Reproduzo, abaixo, reportagem da Gazeta que traz algumas possíveis temas:

Bullying, suicídio e maioridade penal: apostas para a redação

Mais que os números para ganhar uma bolada na loteria, a poucos dias da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) os candidatos querem mesmo é saber qual será o tema da prova de Redação. Mas, como isso ainda é impossível, A GAZETA ouviu professores de cursinhos para falar sobre as principais apostas.

Para a professora do Salesiano e do UP Marcela Amaral, a principal aposta está no bullying e no ciberbullying. No primeiro semestre deste ano o assunto ficou em destaque em virtude da série “13 Reasons Why” exibida na Netflix. A personagem central cometeu suicídio por ter sofrido bullying na escola.

O bullying tem até lei específica: a 13.185/2015. “O tema do Enem é uma escolha que sempre coloca a sociedade para discutir o assunto, e é muito necessaria essa intimidação sistemática ao bullying.”

Outra aposta de Marcela é o tema suicídio. “Existe todo um procedimento da classe médica e de quem cuida dessa temática de pedir a imprensa que não divulgue para não haver o estímulo, mas ao mesmo tempo falar e pensar sobre o assunto é uma necessidade”.

Uma das apostas do professor de redação do Seb COC Carlos de Lima é obesidade, sobretudo infantil. Outra aposta de Carlos é sobre fazer justiça com as próprias mãos.

“O tema da redação do Enem é definido no primeiro semestre e, no final deste período, houve muitos registros de justiça com as próprias mãos, linchamentos, fotos de suspeitos amarrados em postes. Foram registrados casos no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Pernambuco”, ressalta.

Maioridade

Lúcio Manga, professor de redação do Darwin e do Leonardo da Vinci, crê que a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos pode surgir como tema. “Já há uma lei, que foi aprovada pela Câmara dos Deputados e está no Senado. Temos a chance deste tema aparecer como um debate”.

Combate à exploração sexual infantil, o problema social do crack e mudanças no ensino médio também estão entre os palpites de Manga.

Fabrisa Silva, professora de redação dos colégios Castro Alves e COC Lusíadas aposta, entre outros temas, no trabalho escravo. “Pensa-se que escravidão é algo do passado, mas não é. O governo retirou a fiscalização em torno do trabalho escravo, então este é um tema forte”.

Doação de órgãos é outro palpite de Fabrisa. O motivo, segundo ela, é que o assunto foi amplamente discutido no primeiro semestre. “Há algum tempo não cai um tema voltado diretamente para a saúde. É forte que esse ano seja algo relacionado com saúde. Depressão e suicídio são fortes candidatos”, avalia.

As apostas dos professores

Bullying: Grande aposta

O tema é uma aposta unânime entre os professores de cursinhos. Em 2015 a ex-presidente Dilma Rousseff, sancionou uma lei específica para tratar o assunto, a lei 13.185/2015. A temática também foi amplamente abordada na série “13 Reasons Why”, exibida na Netflix, sobre uma garota que cometeu suicídio após sofrer bullying na escola.

Saúde: Depressão e ansiedade

Associadas ao bullying, as temáticas ansiedade, depressão e suicídio podem não necessariamente vir juntas, mas há grande possibilidade de cair uma das três.

Cyberbullying: Discursos de ódio

O cyberbullying ocorre quando a agressão deixa a esfera física e passa para a virtual, sobretudo nas redes sociais. No cyberbullying a agressão não é física, mas ocorre por meio ofensas, xingamentos dentre outros, entre suas consequências estão depressão, isolamento social e suicídio.

Consciência ambiental: Tragédia da Lama

Cuidados com os resíduos sólidos, consciência ambiental. Nesse contexto é possível citar, por meio da argumentação, a tragédia ocorrida em Mariana, Minas Gerais, em que após o rompimento de uma barragem, a lama de resíduos da mineradora Samarco tomou toda a cidade e invadiu também o Rio Doce deixando um rastro de mortes e destruição. A tragédia é considerada o maior desastre ambiental do Brasil.

Doenças Sexualmente Transmissíveis: Novos casos

Estima-se 40 mil novos casos a cada ano no Brasil e, segundo professores, há mais gente morrendo agora do que há 15 anos. Contudo, há pouca divulgação sobre o assunto. Somado a isso, recentemente ocorreu uma campanha de vacinação contra HPV e muitos pais se recusaram a levar os filhos, principalmente as meninas no começo da puberdade, para se vacinar, achando que a vacina poderia incentivar a criança a começar a vida sexual precocemente.

Linchamentos: Justiça com as próprias mãos

O tema da redação Enem é definido no primeiro semestre do ano, e no final do primeiro semestre de 2017 houve registros de justiça com as próprias mãos, em várias partes do país.

Redução da maioridade penal: Legislação

Há uma lei que foi aprovada pela Câmara dos Deputados e está no Senado. O tema havia sido uma das principais bandeiras do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hoje preso pela Operação Lava Jato, mas estava esquecido no Congresso desde 2015.

Obesidade: Aumento

Indicadores apresentados este ano pelo Ministério da Saúde mostram que, nos últimos 10 anos, a prevalência da obesidade no Brasil aumentou em 60%, passando de 11,8% em 2006 para 18,9% em 2016. O excesso de peso também subiu de 42,6% para 53,8% no período.

Trabalho escravo: Fiscalização

Nos últimos anos, várias fiscalizações resgataram trabalhadores de condições análogas à escravidão, o que faz o tema ser um dos candidatos. A nova portaria do Ministério do Trabalho que reduz as situações que caracterizam crime e dificulta a fiscalização não deve influenciar a proposta.

Fonte: Gazeta Online

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