‘Estamos prontos’: A última entrevista de Neil Armstrong antes de Apolo 11 partir para Lua, há 50 anos | Blog do Acervo


Neil Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins chegando para mais um dia de treinamento, antes da viagem à Lua

“Este é um passo pequeno para um homem, um salto gigante para a Humanidade”. A declaração de Neil Armstrong que marcou o momento em que o homo sapiens pisou na Lua pela primeira vez, há 50 anos, foi precedida por muito trabalho. Sete anos separaram o início do Programa Apolo até a chegada ao satélite, em 20 de julho de 1969. Dois dias antes do lançamento do foguete Saturn V, o clima no Centro Espacial John F. Kennedy era de muita expectativa, mas os astronautas Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins aparentavam profunda tranquilidade durante a entrevista concedida em 14 de julho de 1969, há exatamente meio século. Nem parecia que estavam à beira de protagonizar o “acontecimento do século“.

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“A missão de exploração lunar tem 80% de possibilidade de êxito”, afirmou o comandante Armstrong, segundo a reportagem do GLOBO publicada no dia 15 de julho daquele ano.”Esta é uma estimativa razoável se considerarmos os objetivos que perseguimos. A missão da Apolo 11 será um êxito ainda que Aldrin e o comandante consigam alunar, mas não saiam do módulo lunar”.

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Aquela era a última entrevista antes da partida do Saturn V, marcada para o dia 16 de julho. Para fazer as perguntas, quatro jornalistas foram sorteados entre os cerca de 3300 que estavam acompanhando os trabalhos no centro espacial, localizado no Cabo Canaveral, no estado americano da Flórida. Como o trio de exploradores estava em “semi-quarentena”, para evitar qualquer tipo de contágio, a conversa aconteceu por meio de um circuito interno de TV. Cada astronauta estava em seu aposento enquanto respondia às questões feitas pelos quatro jornalistas sorteados, que estavam a 24 quilômetros de distância dos exploradores, enquanto toda a imprensa presente acompanhava a entrevista graças pelos televisores.

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Armstrong destacou que “o medo não é um sentimento desconhecido” para os três astrouautas, mas, acrescentou em seguida, “neste momento, não experimentamos nenhum temor”. E prosseguiu: “Estamos prontos para a partida. Apesar do treinamento intensivo, os três astronautas da Apolo 11 não estão cansados”.

“Depois de uma década de planificação e trabalho estamos prontos e dispostos a tentar conseguir o objetivo nacional””, disse o astronauta, na época com 38 anos.

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Durante a entrevista, um jornalista perguntou a Armstrong sobre o que ele diria no momento em que pisasse na Lua. Mas o comandante da Apolo 11 disse que ainda não havia pensando nisso e confessou que nem sequer tratava de adivinhar o “o que poderão ditar-lhe suas emoções naquele momento”.

Página do GLOBO de 14 de julho de 1969

Àquela altura dos preparativos, em meio a toda a antecipação que se espalhava pelo mundo, um dos principais assuntos na imprensa era a sonda não tripulada Luná-15, que havia sido lançada pelos soviéticos no dia 13 de julho de 1969, com o objetivo de colher amostras do solo lunar. Assim que a notícia sobre a empreitada foi divulgada, começou no Ocidente uma enorme especulação sobre se aquela sonda atrapalharia a Apolo 11 ou mesmo se a União Soviética conseguiria, de fato, colher as amostras da superfície da Lua e retornar à Terra antes da missão americana. Na entrevista, porém, os astronautas, mais uma vez, demonstraram tranquilidade, dizendo que estavam prontos para felicitar os soviéticos caso eles conseguissem trazer as primeiras amostras de solo lunar.

“Os soviéticos sempre nos felicitaram por nossos êxitos anteriores. Desejamos boa sorte assim como esperamos qua façam conosco em tais circunstãncias”, disse Aldrin.

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Segundo Armstrong, não há perigo do que o Luná-15 cause problemas para a trajetória da Apolo 11 no caso de a nave russa entrar em órbita lunar. Após assinalar que o espaço em torno da Terra está cheio do satélites artificiais abandonados que que causam problemas para voos em orbita terrestre, Armstrong disse que as probabilidades de encontro com a sonda soviética em torno da Lua são “infinitesimais”.

Michael Coíllns provocou risos quando lembrou aos presentes que ele será um dos poucos americanos que não poderão ver Armstrong e Aldrin caminhando na Lua. Isto porque a função dele na missão Apolo 11 era pilotar o módulo de comando e serviço Columbia na órbita da Lua enquanto os dois colegas” desciam” com o módulo lunar na superfície do satélite. Como explicou O GLOBO na reportagem sobre a entrevista, as atividades de Armstrong e Aldrin seriam “televisionadas de forma simultânea para a Terra”, mas Collins não poderia assistir. Por conta disso, ele pediu aos jornalistas: “Guardem as gravações de video-tape. Quero vê-las depois do voo”.

Neil Armstrong em todo de 13 de julho de 1969, três dias antes do início da viagem à Lua





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